Carregando...

Neurocirurgia News

Informações e novidades relacionados à saúde e bem-estar.

  • 30 jun 2020

Como um aneurisma cerebral pode ser tratado?

Clipagem x Embolização
Existem duas modalidades de tratamento dos aneurismas cerebrais. A primeira e mais tradicional é através da clipagem por cirurgia aberta, em que é necessária a abertura de uma janela no crânio (ou craniotomia), onde com auxílio de microscópio cirúrgico é identificado o aneurisma e seu vaso portador. O aneurisma é então “clipado” e desta forma fechada a passagem de sangue para ele. Um clipe de aneurisma é uma estrutura metálica muito pequena (cerca de 5mm a 10mm de comprimento, podendo ser maior ou menor a depender do aneurisma) semelhante a um prendedor de roupas em varal, e quando aplicado na base de um aneurisma fecha o fluxo de sangue para este, excluindo-o da circulação e com isto anulando o seu risco de sangramento.

A outra modalidade de tratamento, que surgiu mais recentemente, é através da embolização do aneurisma através de cateterismo da artéria portadora. Este procedimento é realizado todo através de uma punção na artéria femoral, ao nível da virilha. É introduzido então um cateter longo e fino que vai por dentro dos vasos sanguíneos, desde a virilha até o cérebro onde se localiza o aneurisma. Por dentro do cateter são introduzidas então micromolas metálicas da espessura de um fio de cabelo, e são direcionadas então para dentro do saco do aneurisma, lá dentro elas se enovelam e formam uma “bola” de fios metálicos enovelados que impedem o sangue de passar por dentro do aneurisma, e fecham então seu fluxo, anulando o risco de sangramento.
A escolha entre uma ou outra modalidade de tratamento depende muito da apresentação clínica e perfil do paciente, da localização e formato do aneurisma. As duas modalidades possuem vantagens e desvantagens.

Vantagens e desvantagens
A clipagem por craniotomia é um tratamento mais definitivo, uma vez que o aneurisma tenha sido bem fechado, é considerado curado. A maior desvantagem reside no fato de ser um procedimento mais invasivo, com maior tempo de internação, manipulação de estruturas cerebrais, e que exige um treinamento mais longo por parte do cirurgião.
A grande vantagem da embolização reside no fato de ser um procedimento minimamente invasivo, que não deixa cicatrizes, com tempo reduzido de internação e retorno às atividades normais mais precoce. Entre as desvantagens podemos citar o fato de ser um procedimento não definitivo, ou seja, em alguns casos o sangue pode “recanalizar” por entre as micromolas e voltar a encher o aneurisma. Está associado também a maior taxa de não oclusão, ou seja, o aneurisma pode não ser completamente fechado e sobrar uma pequena porção deste que pode encher e crescer. Apesar destas desvantagens esta modalidade não está associada a maior taxa de sangramento após o tratamento em comparação com a clipagem, mas podem ser necessários procedimentos adicionais ao longo dos anos para tratar um aneurisma que cresceu novamente, por exemplo.

Este texto não tem pretensão de substituir nenhuma recomendação médica. A melhor maneira de o paciente esclarecer suas dúvidas é sempre conversando com seu cirurgião.


Dr. Carlos Eduardo Romeu

Sou o Dr. Carlos Eduardo Romeu, médico especialista em Cirurgia Neurológica e da Coluna Vertebral.

© All Rights • Dr. Carlos Eduardo Romeu