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Neurocirurgia News

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  • 13 jul 2020

Síndrome do túnel do carpo.

A mão é inervada por três importantes nervos. O mediano, um destes, é responsável pela sensibilidade e movimentos dos três primeiros dedos. Ele passa por um túnel estreito na palma da mão, chamado de túnel do carpo. O espessamento dos constituintes deste túnel ou mesmo dos tendões que passam dentro dele acabam por diminuir o espaço já escasso para a passagem do nervo mediano. Na síndrome do túnel do carpo existe uma compressão crônica do nervo mediano, que pode causar perda de função e dor, pode apresentar-se nas duas mãos em 50-60% dos casos.

A doença é associada a Diabetes Mellitus, artrite reumatóide e doenças da tireoide. Aparece mais frequentemente em pessoas que realizam trabalho manual com movimentos repetidos, mas também tem associação com alterações hormonais como menopausa e gravidez. Mulheres na faixa de 35 a 60 anos, portanto, são as mais acometidas.

A síndrome do túnel do carpo é progressiva. Sem tratamento adequado com imobilização, fisioterapia, cirurgia ou combinações entre estes, o quadro avança. É documentado que a rapidez para iniciar o tratamento está diretamente relacionado ao sucesso deste, tanto para controle da dor quanto para melhora da dormência e fraqueza.

A fraqueza, sintoma mais preocupante pela sua morbidade para atividades da vida diária, pode não melhorar mesmo após tratamento otimizado quando o paciente o inicia muito tardiamente.

Quais são as causas da síndrome?

A principal causa é a sinovite dos tendões – inflamação – que passam no túnel do carpo. Quaisquer alterações que reduzam o continente ou aumentem o conteúdo podem causar estes sinais e sintomas. Traumas (quedas e fraturas), doenças autoimunes (artrite reumatóide), hormonais (diabetes mellitus e doenças da tireóide, por exemplo), alguns medicamentos e tumores estão entre as predisposições para a síndrome do túnel do carpo. Entretanto, encontrar uma causa definida nem sempre é possível.

Acreditava-se que uso de computador poderia aumentar a ocorrência destas lesões. Trabalhos estatísticos mostraram que mesmo em uso de até sete horas por dia não há maior probabilidade significativa de desenvolver a síndrome.

Diagnóstico e Exames

Seu médico fará o diagnóstico baseado em informações da sua história e características da dor, da fraqueza e da dormência, se presentes. Habitualmente, palma da mão, polpa dos três primeiros dedos e o dorso da mão são os locais que geram queixas de dormência e dor. A dor é pior à noite, principalmente após uso exagerado das mãos durante o dia e pode ser intensa a ponto de despertar do sono. Atividades que promovem a flexão do punho por longo período podem aumentar a dor. Em alguns pacientes, irradia para o braço e até para o ombro. Fraqueza em músculos da mão responsáveis pelo nervo mediano podem dificultar para movimentos como o de abotoar a camisa, amarrar os sapatos e pegar objetos como xícaras.

Ao examinar o punho, o médico deverá fazer testes que provocam a dor de pacientes que apresentam este estreitamento na região do túnel. Exemplos são os testes de Tinel: percussão com os dedos no antebraço; Phalen: dobrar ambos os punhos por um minuto para verificar surgimento de dor.

Estas provocações do nervo mediano apesar de dolorosas são esclarecedoras e importantes visto que o punho é uma região com outras estruturas que apresentam quadros semelhantes se lesadas.

Para afastar diagnósticos mais preocupantes em pacientes com massas palpáveis próximas ao túnel do carpo, poderá ser solicitado um exame de ultrassonografia ou mesmo de ressonância magnética. Esta é uma exceção. O diagnóstico, reiterando, é clínico, independente de achados em exames complementares.

A eletroneuromiografia é um exame bastante solicitado no contexto de pacientes com queixas como as da síndrome do túnel do carpo quando há dúvida diagnóstica e/ou necessidade de avaliar grau de comprometimento do nervo. Severidade da lesão pode indicar cirurgia de imediato para evitar progressão dos sintomas. Compressões graves tendem a beneficiar-se menos da imobilização como estratégia única.

Tratamento

O tratamento se inicia com anti-inflamatórios, imobilização e remédios específicos para diminuir a sensação de dor em casos de lesões nervosas. Casos que não respondam satisfatoriamente, são encaminhados para a cirurgia.

Medicações: a medicação mais frequentemente prescrita para tratamento da dor é a pré-gabalina, uma medicação da classe dos anticonvulsivantes que também tem papel de reduzir dor em lesões causadas por lesões do nervo. Medicações semelhantes podem ser prescritas pelo seu médico.

Injeções: corticoides injetados na região inflamada são alternativas paliativas para pacientes com compressões não muito graves, em tratamento conservador, resultando na remissão ou na melhora importante da dor por alguns dias. Importante que estas injeções sejam feitas por profissional habilitado e realmente experiente. A região do punho tem diversas estruturas de extrema importância para a mobilidade da mão. Lesão acidental destas, pode causar danos irreversíveis.

Imobilização: munhequeiras imobilizadoras reduzem a progressão do quadro, diminuindo a exposição do punho a posições que estreitem ainda mais o túnel do carpo. Ao menos durante o sono, esta tala pode ser de grande valia.

Fisioterapia: tende a consistir de alongamentos, evitar compressão da região e assimilar estratégias para menor frequência de lesões repetitivas ao fletir punho.

Cirurgia: esse procedimento envolve uma incisão pequena na pele da palma da mão até chegar ao túnel do carpo e abrir com um corte, transformando-o num espaço aberto. O corte é feito na estrutura que forma seu teto – o retináculo. Este tecido, se totalmente seccionado, abre espaço para diminuir a pressão sobre o nervo. Em alguns casos, mesmo após uma cirurgia bem sucedida, pode haver recorrência da síndrome após um período variável.

Este texto não tem a pretensão de substituir nenhuma recomendação médica. A melhor maneira de o paciente esclarecer suas dúvidas é sempre conversando com seu médico.


Dr. Carlos Eduardo Romeu

Sou o Dr. Carlos Eduardo Romeu, médico especialista em Cirurgia Neurológica e da Coluna Vertebral.

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