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Neurocirurgia News

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  • 06 ago 2020

Tratamento cirúrgico da Doença de Parkinson

O que é a Doença de Parkinson?

A Doença de Parkinson é uma condição neurológica degenerativa e progressiva, caracterizada principalmente por tremor, rigidez, bradicinesia (lentificação dos movimentos) e instabilidade postural. Outros sintomas não motores como alterações no humor e no comportamento, bem como dificuldade de memória e disfunções executivas (alterações na habilidade para desempenhar tarefas corriqueiras), também ocorrem e são mais frequentes conforme a doença vai progredindo.

A principal região do cérebro afetada chama-se substância nigra, que contém neurônios que produzem dopamina, uma substância relacionada a um circuito cerebral que, dentre outras atividades, coordena funções motoras. A diminuição da dopamina no cérebro é uma das principais características da Doença de Parkinson.

Quais os tratamentos disponíveis para a Doença de Parkinson?

Após o diagnóstico ser feito por um neurologista, o tratamento inicial é baseado em medicações específicas e medidas não farmacológicas como exercícios físicos, fisioterapia, dieta, apoio psicológico e informação ao paciente e cuidadores. A cirurgia é uma opção terapêutica adotada cada vez mais cedo no curso da doença, e pode ser indicada quando as medicações tiverem seu tempo de efeito encurtado, quando ocorrerem outras complicações relacionadas ao tratamento medicamentoso, como discinesias (movimentos involuntários) ou alterações psiquiátricas como psicose ou transtornos compulsivos, ou quando os sintomas se tornarem refratários ao tratamento. A cirurgia geralmente é evitada nos casos doença muito avançada com comprometimento cognitivo importante.

A cirurgia para tratamento da Doença de Parkinson pode ser feita de 2 formas: uma primeira é através de uma lesão cirúrgica por radiofrequência (calor) em um pequeno alvo cerebral específico. Este tipo de cirurgia apresenta bons resultados, comparáveis ao outro método utilizado, além da vantagem do baixo custo, por não utilizar material implantável. Este método porém apresenta algumas desvantagens, como o alto índice de complicações associadas a cirurgia quando feita para tratar os sintomas dos dois lados do corpo (cirurgia bilateral), e o fato de se tratar de uma lesão irreversível de tecido cerebral.

O outro método consiste no implante de um eletrodo em uma pequena região específica do cérebro, e estimulação (ou neuromodulação) desta área através de uma pequena corrente elétrica gerada por um dispositivo implantado por baixo da pele da região peitoral, chamado gerador de pulsos, uma espécie de “marcapasso” cerebral. As vantagens deste método incluem o fato de não haver lesão de tecido cerebral, sendo os efeitos da estimulação, tanto terapêuticos quanto adversos, em geral reversíveis com o desligamento do aparelho. Outra vantagem reside no fato deste procedimento poder ser feito dos dois lados do cérebro, para tratar os sintomas dos dois lados do corpo, sem o alto índice de efeitos colaterais apresentados pelo método ablativo (lesão) bilateral. As desvantagens incluem o maior custo, a necessidade de implante de hardwarde ou dispositivos no paciente, e todos os riscos envolvendo a manutenção deste em contato com tecido biológico, como o risco de infecção do material e necessidade de troca do gerador após um certo período de uso.

Atualmente o método mais frequentemente utilizado é o da neuromodulação, principalmente pelas vantagens de poder tratar de maneira mais segura os sintomas dos dois lados do corpo, e da reversibilidade e possibilidade de ajuste na intensidade ou forma de estimulação.

Converse com seu neurologista e tire suas dúvidas, se necessário ele poderá fazer o encaminhamento para um neurocirurgião que avaliará a possibilidade da cirurgia para melhor controle dos sintomas da Doença de Parkinson.


Dr. Carlos Eduardo Romeu

Sou o Dr. Carlos Eduardo Romeu, médico especialista em Cirurgia Neurológica e da Coluna Vertebral.

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