Aneurismas

O que é um aneurisma cerebral?

Um aneurisma é um defeito da parede de uma artéria, que são os vasos sanguíneos que levam sangue ao cérebro e outras partes do corpo. Esse defeito consiste em uma dilatação em uma região frágil dessa parede, que se torna mais fina e com a pressão sanguínea se dilata como um “balão”, semelhante à uma “laranja” em um pneu que tem uma falha na sua borracha. A principal teoria aceita é de que a pessoa nasce com um defeito no vaso, e que o aneurisma então aparece e vai crescendo lentamente com o tempo. Não existe uma causa bem definida para o aparecimento dos aneurismas, mas existe uma relação com história familiar, hábito de fuma, e certas doenças que podem predispor ao aparecimento destes. É estimada uma prevalência de aneurismas cerebrais na população em cerca de 5%, ou seja, 1 a cada 20 pessoas pode ter um aneurisma cerebral, com sintomas ou não.

Quais são os sintomas de um aneurisma?

Um aneurisma pequeno geralmente não causa sintomas, mas pode crescer a ponto de causar compressão de estruturas nervosas, levando à dor e outros sintomas. Um aneurisma pode também se romper, por causa da fragilidade da sua parede, e essa é a apresentação clínica mais frequente, causando um tipo de sangramento cerebral chamado de hemorragia subaracnoide. Esse é um quadro grave, com risco de vida, e necessita de atendimento médico imediato, falaremos mais sobre ele em outro artigo. Infelizmente a maioria dos aneurismas que não se rompem não dão sintomas, e por isso são diagnosticados por acaso, por exemplo durante uma investigação para uma dor de cabeça sem relação com o aneurisma.

Quais exames podem detectar um aneurisma cerebral?

Os aneurismas cerebrais podem ser diagnosticados através de exames como angio-tomografia e angio-ressonância, que são exames de imagem não invasivos; e a arteriografia por subtração digital, que é o exame “padrão ouro”, ou seja, o mais preciso para o diagnóstico, porém é um pouco mais invasivo, necessitando de punção arterial geralmente no nível da virilha e progressão de um cateter por dentro do vaso até as artérias carótidas na altura do pescoço.

Um aneurisma deve ser sempre tratado?

Primeiro é importante frisar que o enfoque do tratamento de um aneurisma que não se rompeu é bem diferente de um aneurisma que já se rompeu, e que se apresenta com uma hemorragia cerebral. Os aneurismas que se rompem, salvo em casos muito específicos, devem ser tratados o mais rápido possível, porque a chance de ocorrer um outro sangramento é muito alta. Já nos aneurismas diagnosticados antes de se romperem, a decisão não é tão simples.

A grande questão é que o risco de se ter um aneurisma, e de que este venha a se romper, deve ser pesado contra os riscos do tratamento cirúrgico de um aneurisma, que significa uma cirurgia neurológica de grande porte, que pode ser “aberta” ou por “cateterismo”, e todas as possíveis complicações envolvidas, inclusive risco de lesão de estruturas nervosas, infecção, sangramento, e até morte. Nesta decisão deve se levar em consideração a idade, estado geral de saúde e expectativa de vida do paciente, o tamanho do aneurisma, localização e sua conformação, bem como hábitos como tabagismo (fumar cigarro), e etilismo (uso de bebida alcoólica) pesado. Deve ser levado em consideração também as expectativas do paciente e a forma com que cada um encara o problema.

A decisão deve ser do paciente em conjunto com seu cirurgião, que tem o dever de informar e explicar todos os riscos e benefícios envolvidos no processo.

Parte 2: Como um aneurisma pode ser tratado? Acesse e saiba mais.

Este texto não tem pretensão de substituir nenhuma recomendação médica. A melhor maneira de o paciente esclarecer suas dúvidas é sempre conversando com seu cirurgião.

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